Mães também dançam

“Saí do trabalho e resolvi passar na casa da minha mãe – saudades do café dela, parece que sempre fica mais gostoso que o meu. Encontrei na sala, se admirando no espelho.

– Oi filho!

– Oi mãe – beijei-a no rosto – tá arrumada, bonita… chegou de onde?

– Não cheguei, estou saindo!

– Ué, onde você vai a essa hora?

– Vou DANÇAR!! – ela respondeu em meio a um lindo sorriso, o qual fazia tempos eu não via.

– Dançar? Mas mãe, você não tem idade pra isso!! – não me dei conta do quanto alterei minha voz.

– Tenho sim! E digo mais: você não tem idade pra me dizer o que eu devo ou não fazer. Eu danço toda semana e isso tem me feito muito bem, e se você acha que sou velha, velho é o seu preconceito. – ela falou com seu tom autoritário de mãe novamente.

Eu fiquei sem palavras. Observei-a terminando de se arrumar no grande espelho da sala. Apesar da idade minha mãe é uma mulher bonita, cheia de vida, disposta. E não é só minha mãe. Ela é mulher. Sim, eu sou preconceituoso, e sim, fiquei com ciúmes, afinal ela é minha mãe.  A resposta dela foi o maior puxão de orelha que já me deu.

Ela saiu andando pela casa, fechando janelas e portas quase me empurrando para o lado de fora da casa. Quando ela fechou a porta, de costas para mim, coloquei minhas mãos em seus ombros e falei decidido:

 

– Mãe, você só vai se… se me conceder a primeira dança!

Vi seu rosto se iluminar!

 

Dieine Carolina Escritora

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